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Diário de Bordo: Tanzânia (Arusha) e Zanzibar

Comemos muito pó até sairmos da zona dos Parques de reserva da vida selvagem africanos. As estradas tem pouca manutenção e são como um serrote. Os oitenta quilômetros que nos separavam de Amboseli até o passo fronteiriço de Namanga nos custou quase três horas. Muito pó e várias vezes ficamos atravessados na estreita estrada, quase capotando. Ainda bem que eu controlava nosso driver Dalmas. “Polé polé, bara bara is bad” (uma mistura de suahili e inglês: “devagar que a estrada é ruim”).

Em Namanga, na fronteira com a Tanzânia, despedimos a Dalmas, que retornava para Nairóbi e esperamos no paradouro Paradise a Van que nos levaria até Arusha, distante 104 quilômetros.

Durante nossa espera conversamos muito com dois quenianos muito gentis e com boa formação cultural: Jane, a proprietária do paradouro e stop de artesanais e Jimy, seu secretário. Chegamos a Arusha ao entardecer e o hotel que havia reservado estava justo ao lado onde descemos. O Hotel Impalla e as Vans Impalla Shuttles eram do mesmo dono.

Arusha, com oitocentos mil habitantes é a terceira mais populosa da Tanzânia e é um centro importante onde localizam-se várias Organizações Internacionais para solucionar o genocídio de Ruanda, também o centro mais importante de saída dos Safáris para os mais famosos Parques de Reserva animal, como Ngorongoro e Serengeti.

Descansamos dois dias em Arusha, para recuperar o fôlego, depois de vagar por fundões indescritíveis. Martin colocou seu trabalho em dia, pois só ficávamos em hotéis com Wifi, e contatamos um chofer que fazia ponto em frente ao hotel para conhecermos algo mais sobre Arusha. Não vão acreditar qual o nome do chofer: God Listen (“Escuta de Deus”). “É religioso”, pergunta óbvia, e ele nos disse que era luterano. Oitenta por cento da população é católica (cristã, evangélica e outras) e vinte por cento são islâmicos.

Fizemos um bom relacionamento e ele nos levou a alguns lugares interessantes, que sozinhos não encontraríamos, e ainda nos recomendou dois restaurantes excelentes, onde comemos como príncipes, já cansados do bufe do resort em Amboseli.

No dia 13/10, partimos cedo para embarcarmos no AEroporto Internacional de Kilimanjaro, para Zanzibar. O vôo seria de uma hora e dez minutos e a aeronave era a turbo hélice. O vôo foi sereno e em pouco tempo passamos por Dar el Salam, antiga capital, mas ainda uma das mais importantes cidades do país, com quase 3 milhões de habitantes e em seguida avistamos o Oceano Índico e o arquipélago de Zanzibar.

Eu já havia estado lá há dois anos atrás e queria que o Martin conhecesse esse destino paradisíaco. Ele se encarregou de reservar o Hotel através da internet. Resolvemos alugar um carro, pois nosso resort se localizava no extremo norte da ilha e não queríamos ficar restringidos somente à vida de hotel. O Ora Boutique Hotel, May Blue, é de uma cadeia italiana e funciona como só clubes Med (tudo incluído e com recreacionistas).

Retorno ao assunto do aluguel do carro, pois foi um momento tenso e ao mesmo tempo hilário. Nos acercamos a fila dos taxis do diminuto aeroporto e dissemos que queríamos alugar um carro. É óbvio que não tínhamos visto nenhuma agência como Avis ou Hertz no aeroporto. Em poucos minutos chegará seu Suzuki Escudo. Efetivamente, em instantes apareceu o chefe da máfia com nosso carro cor chumbo. Subimos no carro com nossa bagagem e fomos encher o tanque. Falamos que queríamos o carro por cinco dias e ele disse: são duzentos e cinqüenta dólares. Paguei e esperei pelo recibo ou alguma formalidade mais para a concretização do negócio. Para meu espanto, ele disse que era tudo no fio de bigode e que o único que eu necessitaria era minha carteira internacional de motorista e usar o cinto de segurança. Nos despedimos e dia 18/10 nos encontramos no aeroporto. Sigam-me que vou buscar meu carro para mostrar-lhes o caminho. Fomos direto para um labirinto de ruelas até chegar à garagem. Perguntei inde íamos e ele disse: “Calma, nós somos gente boa e aqui as coisas funcionam assim”.

Essa foi nossa primeira experiência na mítica ilha de ZANZIBAR – milenar entroncamento de rotas de comercio entre Arabia, Índia e o Leste Africano.

Após esse susto vamos tratar de desfrutar com os italianos de nosso resort e nos banharmos nas verdes e cálidas águas do Índico.

Tchau.

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