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Diário de Bordo: Nairobi – favela de Kibera

É penoso viajar na classe econômica, principalmente em voos longos. Na etapa seguinte, de 4 horas, que durou nosso voo de Joahnesburgo a Nairobi, pudemos descansar um pouco. O avião era bem mais espaçoso. Chegamos ao aeroporto Jomo Keniata às 14:30h, vinte e seis horas após nossa partida de Porto Alegre. Dalmas, nosso chofer, estava a postos nos esperando, sempre com seu sorriso e sua amabilidade.

O Quênia, o país que visitaríamos em nossa primeira etapa, foi colocado no mapa por caçadores, aventureiros, historiadores e gente que escrevia sobre caçadas. O nome de Hemingway nos vem à mente, assim como o de Karen Blixen (o filme “Out of Africa”, com Robert Redford e Meryl Streep, conta sua história na África Oriental).

Crianças frente à escola – Kibera (Nairobi, Kenya)

Martin estava cansado e teve que fazer um esforço para me acompanhar até o Koinonia Children Charity, Ndogo Rescue Center, organização humanitária não govenamental, que está localizada em uma das maiores e mais perigosas favelas da África. Havia combinado com o professor Jack, que cuida das crianças órfãs de pais aidéticos, para que me esperassem, pois chegaria com muitos presentes. Em nome da Cruz Vermelha RS, de Parceiros Voluntários e de um projeto em parceria com o Interagir entreguei remédios, cadernos, canetas, lápis (colaboração da Livraria Decimal) e muito material esportivo doados pelo Interagir.

Nairobi é uma capital com mais de 3 milhões de habitantes, sendo que um terço vive abaixo da linha de pobreza, na favela de Kibera. Suas ruelas estão apinhadas de moleques à espreita – os totos. Kibera cheira à decrepitude: esgotos mal cheirosos, muito lixo e valas abertas – a dura realidade da África urbana.

O Quenia não é só o charme dos safaris, com suas Land Rovers verde oliva e turistas ingleses uniformizados de caçadores.

Creio que valeu o esforço. O carinho com que nos receberam essas crianças tão carentes me fez pensar em um dos lemas Rotaries, que diz: “Mais se beneficia quem melhor serve”.

Sobre Kibera, no capitulo sobre Nairobi, o escritor Paul Teroux comenta: “Os moradores da favela usam uma bebida chamada changaa, com um teor alcoolico de 50% e depois de emborrachar-se cometem estupros e outros crimes. As pessoas com medo de sairem de seus barracos, usam bolsas de plástico para fazer suas necessiades e as jogam fora (as chamadas flying toiletes)”.

Exaustos, fomos nos recuperar no aconchegante Hotel Reata Apartments. Cálido, com todo o conforto e um ótimo restaurante.

No dia seguinte seguíriamos para Lenkisem, onde está a missão católica de Fátima, e onde se encontra uma comunidade Maasai de quase 12.000 pessoas.

No sábado, 6 de outubro, se realizará uma cerimônia para celebrar a colação de grau, em economia e estatística, do jovem líder Maasai e meu companheiro no projeto “De Mãos Dadas com a África”; a inauguração da creche Paul Harris, em homenagem ao fundador de uma entidade como o Rotary Internacional, com tantos serviços prestados em prol da humanidade e tambem a realização de um jogo de futebol entre as crianças da comunidade e fundação do primeiro time na África com o nome de SC International.

É uma agenda exaustiva, mas depois iremos relaxar no resort Amboseli Serena Safari Lodge, com uma vista privilegiada para uma das montanhas mais charmosas do planeta: o Kilimanjaro.

Ficaremos fora do ar por dois dias, pois vamos para uma zona inóspita e primitiva, onde a globalização só dá seus ares através de alguns celulares e motos chinesas. Na próxima segunda-feira contarei como foram as cerimônias de graduação de John e inauguração da creche Paul Harris, e a partida de futebol.

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