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Diário de Bordo: 31/10 e 2/11/2011
Victoria Falls, Zambia – parte I

VICTORIA FALLS – ZÂMBIA PATRIMÔNIO NATURAL DA HUMANIDADE

Estivemos fora do ar por vários motivos: cruzamos novamente parte do Deserto de Kalhajari; estávamos alojados em campings longe do centro dos lugarejos e também por falta de sinal.

Antes de partir do Delta do Okawango realizei um de meus últimos desafios pelas bandas de Botswana: voar sobre o Delta,em um Cesna, para ter uma real visão da magnitude daquele ecossistema único no mundo (pelo seu tamanho e a quantidade e variedade de vida animal selvagem). Fui convidado por um jovem antropólogo canadense e também por um jovem casal de instrutores de mergulho em Zanzibar (ela inglesa e ele alemão). Um grupo bem eclético. É importante a união das pessoas por essas paragens, pois os tours sempre tem um preço fixo e é uma forma de baratear a viagem, dividindo por um maior número de pessoas.

Decolamos às 17 horas e ainda tínhamos sol suficiente para realçar o azul dos pequenos canais e do verde dos juncos, das acácias e de alguns baobás. A visão de 360º me proporcionava a sensação exata da vastidão daquela exuberante geografia e de manadas de elefantes e búfalos.

Ao retornar ao nosso charmoso Old Bridge, enquanto o Benhur escrevia seu último conto do novo livro, fui até o bar e conheci o simpático espanhol Pedro, que viajava sozinho em seu carro alugado e sua barraca pelo interior da África.

Pedro fazia-me lembrar a seu xará, Pedro Castagno, parceiro de tênis por vários anos na Europa, onde me recebia fidalgamente em sua residência, em Torreviejas, Alicante. Era muito divertido e usava os tradicionais termos tão comuns aos espanhóis: “pues vamos hombre”; “es de la hóstia” (muito bom); “esos son unos jilipoyas” (babacas) e “siempre se armam follones (rolos) com ellos”.

Pedro, com seus 34 anos é um típico Don Juan e señorito contemporâneo. Trabalha na organização de eventos e seguidamente viaja ao vizinho Marrocos para comprar tapetes e outras peças para suas decorações. Conversando, soube que viajaria para Kasane no próximo dia e esse era também nosso destino. Perguntei-lhe se havia a possibilidade de viajarmos juntos. Propus que a gasolina seria por nossa conta e também seria meu convidado para o lanche. Disse que seu carro era pequeno, mas que se coubesse nossa bagagem seria um prazer.

Presenteei-o com meu livro, que sempre me ajuda a abrir portas (apesar de não ser um escritor) e que faz parte de minha bagagem de aventureiro e empreendedor. Tínhamos algo em comum: somos aventureiros.

Resumo da história: fomos de carona, um pouco apertados, mas nos divertimos muito e enfrentamos os seiscentos e cinqüenta quilômetros que separam Maun de Kasane, passando ao sul do trajeto novamente pela vastidão do Deserto de Kalajari ou Kaglagadi, em língua setswana. O kalajari é uma das regiões de natureza virgem mais extensa do mundo. Retas intermináveis, vegetação escassa, formada de pequenos arbustos espinhosos e esparsas acácias. De vez em quando, um gigante baobá decora a paisagem.

Enfrentamos o árido trajeto que nos lembrava o agreste nordestino (comentei ao Benhur que só nos faltava encontrar o Lampião) escutando Joaquim Sabina, Pavarotti e Frank Sinatra. O que para nós seria um dos últimos problemas estratégicos a resolver (esse tramo não tem serviço de transporte público regular e os existentes são muito precários e não confiáveis) transformou-se em momentos de convívio solidário. A aventura, a música e o desejo de fazer novas amizades colocaram-nos no mesmo caminho. Chegamos a Kasane a tempo de buscar um bom lugar para descansar e colocar toda a harmonia de nosso esqueleto no devido lugar. Uma boa ducha quente seria reparadora. Pedro armou sua barraca e Benhur e nós nos instalamos num modesto e exótico chalé de bambu com todo o conforto (split e banheiro de fibra com água abundante e bem quente).

No dia seguinte partimos cedo para cruzar a fronteira, no passo de Kazulunga, que nos levaria a Zâmbia (o sexto país de nossa viagem). Cruzamos o mítico rio Zambeze em uma balsa. Sempre me atraíram os passos fronteiriços, mas os encaro com algum receio. O comércio formiga, os cambistas que vieram como enxame sobre nós e os taxistas que cobravam qualquer preço para levar-nos até a cidade de Livingstone, deixou-me fora de prumo. Apurados e sem vontade de pechinchar ou ver o câmbio real nos sentíamos um pouco “vendidos”, como dizia o espanhol. Tomamos um taxi e partimos em direção das cataratas Victoria Falls. Foi nosso quarto Patrimônio Natural da Humanidade a ser visitado.

Apesar de estarmos na estação das secas, elas são impressionantemente grandiosas. Figura com justiça entre as Sete Maravilhas do Mundo. Em 1855, quando o médico e missionário escocês David Livingstone as viu pela primeira vez, quando descia o rio Zambeze, escreveu em seu diário: “Imagens tão belas como esta devem fazer que os anjos olhem desde o alto”. No idioma korolo é conhecida como “Moshi-ao-Tunya”, que significa “a névoa que ruge”. Seus números impressionam: 1,7 km de largura, 108m de altura e 1 milhão de l/s.

Amanhã continuaremos a admirar as cataratas do lado de Zimbawe.

Tchau!


Victoria Falls – 110 metros de altura de pura beleza

Com nosso amigo Pedro Cuenca – um Don Juan contemporâneo

Comércio formiga entre Zâmbia e Botswana

Cruzando o mítico Zambezi de Botswana para Zâmbia

Junto à estátua do médico e missionário escocês David Livingstone, que me inspirou a viagem

Panorama das Cataratas desde o lado Zambiano

Passarela sobre as cataratas – mandei o Benhur primeiro para ver se era firme…
 

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