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Diário de Bordo: 29-30/10/2011
Botswana – Delta do Okawango

Ontem chegamos cansados da escalada das Dunas Vermelhas e de uma extensa caminhada pelo Vale da Morte. O Benhur estava exausto e foi direto para a ducha. Eu fui provar uma cerveja da Namíbia e iniciei conversação com a única pessoa que me acompanhava no bar. Contou-me que viajar era sua paixão e que havia sido, quando jovem, trapezista de um circo que recorria a Europa. Atualmente, mora em Cape Town nos poucos momentos que tem de folga, pois é guia de turismo da companhia Nomad. Usava uma T-shirt que dizia: “É melhor viajar uma milha do que ler um milhão de livros”. Acho que se aprende muito viajando e que é uma experiência incomparável, mas a leitura é insubstituível.

Comemos nossa lasanha, que estava ótima, e nos recolhemos, pois partiríamos às 5 horas em direção a Maun, via Ganzi, enclave importante para quem viaja pelo Deserto de Kalajari. Enfrentamos o deserto em uma Zafira, Opel, e nosso chofer, chamado Stephanes, tinha o pé bem pesado. O trajeto desde Windhoek, Namíbia, até Maun, em Botswana, é de oitocentos quilômetros e nós queríamos aproveitar para conhecer um assentamento de pigmeus – os Bushmen (san), um dos povos mais antigos da terra.

Chegamos a Maun ainda a tempo de trocar dólares pela moeda do país: pula, que quer dizer chuva na linguagem Setswana, que é a oficial.

Pedimos ao Stephanes que nos levasse até o Old Bridge Backpackers (mais um em nossa lista – para compensar o alto custo dos tours). Era uma indicação da Bíblia dos viajantes – Lonely Planet.

O Old Bridge foi uma grata surpresa. Muito bem decorado com motivos africanos e localizado justo na barranca do Tamalakani River. Estávamos, apenas nós dois, alojados num quarto para oito pessoas. Dormimos ao som do correr das águas sobre a barranca e de dois enormes ventiladores de teto, em cima de nossas camas.

Na hora do jantar conhecemos uma americana que trabalha como voluntária para proteção das cheetas na África. Natural de São Francisco e muito amável me disse quando perguntei sobre a segurança do passeio de Mokoro, entre os juncos do Delta. Ela respondeu com um sorriso: nada é seguro aqui na áfrica. Mosquitos infestados com Plamodios Falciformes, escorpiões, cobras, crocodilos e hipopótamos.

Hoje quando navegávamos, em um estreito canal, entre juncos e minúscula Vitórias Régias com suas flores que lembram a margarida, veio-me a mente um documentário do Discovering Channel. Quando navegavam em um canal similar ao nosso, bruscamente a noiva foi atacada por um animal que até não foi identicado, devido á velocidade do bote.

Recorremos os pequenos canais, acampamos em uma enorme ilha, onde a primeira coisa que avistamos foi umas enormes fezes de elefante.

O Okawango é o maior delta interior do mundo. Formado pelo espraiamento de suas ramificações, como uma folha de palmeira, lembrando o Delta do Nilo (no sentido inverso). Esta paisagem era de nossas metas em Botswana, pois vamos em busca de Patrimônios Naturais da Humanidade.

Até amanhã. Tchau!


A vista de nosso alojamento no Old Bridge Backpackers

Cena típica da região do Delta

Deserto do Kalahari – família de Bushmen recebendo material esportivo do Inter Social

Inédito – um mokoro-driver torcedor da Cova

Lilly Flowers – azuladas quando polinizadas, estas flores se dividem em Noturnas e Diurnas, de acordo com o horário em que se abrem

Minha última loucura – passeio em Cessna sobre o Delta, com um antropólogo canadense e um casal de instrutores de mergulho em Zanzibar

Nativa Setswana numa ilha do Delta

Nossos parceiros de bar em nossa visita ao pequeno povoado da cooperativa dos mokoristas

O mokorista colorado que nos guiou pelos canais do Delta

O primeiro encontro com nosso amigo espanhol Pedro

Passeio em Mokoro – canoa feita de ébano, figueira ou marula – por um dos estreitos canais do Delta

Vista aérea do Delta do Rio

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