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Diário de bordo: a verdadeira África selvagem

Hoje iniciamos um safari de 6 dias. O grupo está formado pelo chofer e gametrakker (o cara que sabe onde encontrar os grandes predadores), Karisa; o cozinheiro Nicolas, uma escocesa de Edimburgo e eu. A Toyota é muito confortavel. Não sei como aguenta tanto as más estradas do interior da África. depois de 1 hora de viagem, partindo de Nairobi, adentramos num dos ecosistemas mais impressionantes do planeta: o Great Rift Valley. É uma rachadura na crosta terreste que inicia no Rio Jordão, passando pela Península Arábica, Mar Vermelho, Etiópia, e entra de uma forma grandiosa no Kenya, através do Lago Turkana. Chega a ter 100KM de largura e bordeada de escarpas muito alvas e verdes. A vista desde Nakuru, nosso primeiro destino, a 2000msnm é impressionante. Temos ao longo de 360 graus toda a savana ao alcance de nossos olhos. O Parque Nacional de Nakuru é um dos melhores da África.


Nunca fui muito ligado em safaris (palavra do idioma suaili – jornada). Mas penso que é uma forma de conhecer o interior, adentrar-se no coração de um continente fascinante. Como viajo sozinho tento escolher as opções mais em conta e sempre são as melhores. Viajar para África e parar em Lodges 5 estrelas, não vejo graça nenhuma. Por primeira vez em minha vida dormi em carpa. A comida era de excelente qualidade e saudável. O cozinheiro Nicolas um verdadeiro “chef”. Estacionávamos em camps bem estruturados, onde havia “toiletes” e bar, para tomar algo e compartilhar experiências com viajantes do mundo inteiro. Na primeira noite estava tão preocupado com os mosquitos que após o jantar fui direto para a barraca, coloquei repelente e meu mosquiteiro, e tentei dormir. Durante a noite escutei o ruído de algo que saía da água. Era um grande hipopótamo que havia rondado minha barraca. Quando amanheceu eu estava dormindo no chão da barraca, e minha bolsa de dormir que havia alugado estava do lado, com o colchonete. Dormia com duas coisas ao lado de mim que me ajudaram muito: minha lanterna Toshiba e um canivete multi uso.

Aqui, avistei de poucos metros um rinoceronte enorme cruzando nossa estrada e a quantidade de flamingos cor de rosa nas margens com as escarpas de pano de fundo são uma imagem inesquecível. Continuamos até o Lago Baringo e Bogoria. No Rift Valley se formaram a milhões de anos muitos lagos de grande salinidade, e aqui, segundo a teoria evolucionista e as pesquizas de arqueologos de renome internacional, o primeiro hominídeo foi encontrado. Seu esqueleto está no Museu de Daar el Salam, capital da Tanzania. Por último iríamos conhecer o mais famoso e o mais popular de todos os Parques Nacionais da África, junto com Norongoro e Seringueti: o Maasai Mara National Park. Aqui estive acompanhando a grande migração dos gnus e zebras, que nessa temporada buscam os verdes da Savana Keniana, vindos da Tanzania. O mesmo Rio Mara, que aparece no Discovery Channel, com os crocodilos estando à espreita de um gnu mais debil ou cansado. Vi de perto leões, leopardos, búfalos, zebras, elefantes e girafas. No camp de Maasai Mara dormimos em “manbas”, pequenas cabanas de madeira às margens do Rio Talek, infestado de crocodilos do Nilo. Já se haviam juntado ao grupo um alemão de Dusseldorf, de nome Daniel, e um estagiário de guia, maasai, muito simpático de nome David. Prometi ao David de presente de natal uma página web para que ele possa divulgar seu trabalho. Continuo amanhã de manhã. Estou em Zanzibar, e vou jantar com um consultor para defesa da democracia no mundo, Mark, que é irlandes de Dublin e vive em Filadélfia. Jantaremos na beira do Índico, num restaurante que me recomendaram: Livingstone Beach Restaurant.

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